terça-feira, julho 31, 2007

“O nosso grande líder”: Mendes importa democracia da Madeira

Cheio de falta de ar democrático, Marques Mendes foi com o seu séquito para a Madeira. O banho de multidão não poderia ter sido melhor. Uma velhinha, que nem sabia quem ele era, foi filmada pela televisão a pregar-lhe um beijo na boca por engano, enquanto Mendes lhe garantia que “era simpático, embora baixinho (sic)”.
No comício, as intervenções foram inflamadas. Jaime Ramos, indivíduo capaz de inspirar medo a qualquer pessoa que se cruze com ele na rua, berrou que Sócrates é aldrabão. Jardim não ficou atrás e distribuiu insultos com generosidade. Mendes e o seu séquito assistiram a tudo, com sorrisos estampados que variavam entre a vergonha e a cumplicidade.
O próprio Mendes fez uma intervenção em que procurou, contra toda a evidência, atirar para o Governo as culpas pelos atropelos à legalidade constitucional a que assistimos na Madeira. Depois de se dirigir a Alberto João chamando-o por “o nosso grande líder”, Mendes, ciente da sua baixa credibilidade, pediu a Sócrates para falar com o Presidente da República. O (ainda) líder do PSD comporta-se como aquelas crianças que são zurzidas na escola e vão fazer queixa ao professor.É este, pois, o excelente método de luta contra a claustrofobia democrática que o PSD propõe. Também não admira. O grande campeão dessa luta, o Mendes em pessoa, caracterizou-se por uma elevada compreensão do serviço público de televisão quando foi ministro: segundo vários relatos, era ele quem telefonava para a RTP a dizer que notícias e por que ordem deveriam aparecer no Telejornal. Tudo isto com a agravante de, nessa altura, não existirem canais privados.
Mais recentemente, Mendes distinguiu-se por defender uma democracia limitada dentro do seu próprio partido. Agora é a cereja em cima do bolo. Mendes gosta tanto da liberdade que gostaria que ela atingisse no continente níveis idênticos aos da Madeira.No meio de tanta confusão, Santos Silva foi também à Madeira, onde fez uma intervenção clara e pedagógica no congresso do PS. Se Jardim e o inenarrável Ramos aprendessem alguma coisa, perceberiam, ao ouvi-lo, que no combate político não é necessário recorrer ao insulto, à ameaça e à grosseria. Talvez não seja tarde: no Programa Escolhas cabe sempre mais um. Ou dois, contando com Jaime Ramos.

Sem comentários: