sexta-feira, julho 13, 2007

Judas amigo de Jesus

"A imagem comum de Judas é a do traidor de Jesus por dinheiro. Essa imagem não corresponde, porém, à verdade. O que se passa é que Judas pertencia de facto ao círculo íntimo de Jesus, que de tal modo confiava nele que era o ecónomo do grupo.

Judas tornou-se discípulo de Jesus e, no quadro de um messianismo político, convenceu-se que ele, com todo o seu poder, concretizaria a chegada do Reino tão desejado por Israel. Mas, com o tempo, começou a sentir-se desiludido, porque a perspectiva de Jesus parecia diferente, não correspondendo aos ideais do messianismo político. Como escreve o exegeta Padre Carreira das Neves, é, pois, “natural que o amigo Judas, desencantado com Jesus, o entregue ao Sinédrio para que Jesus se resolva, de uma vez por todas, a desencadear o Reino de maneira apocalíptica e apoteótica. Nada melhor do que aproveitar a estadia em Jerusalém, na véspera da Páscoa, para que a sua manobra resulte”.

A estratégia de Judas não resultou e Jesus foi mesmo condenado à morte na cruz. Foi então que, desesperado, não suportando o sucedido com o amigo, Judas se enforcou. O suicídio é a prova de que não pretendia realmente a morte de Jesus. Se o seu móbil fosse atraiçoá-lo e umas míseras trinta moedas e as boas graças do Sinédrio, não se teria enforcado.
O drama de Judas foi não ter percebido que Jesus não era um Messias político e, sobretudo, ao contrário de Pedro, não ter confiado no perdão do amigo."

Anselmo Borges, padre e professor de Filosofia, no Diário de Notícias

Sem comentários: