sábado, julho 14, 2007

Business & Biodiversity

Tive a oportunidades de participar ao longo desta última semana no Summer Course on Environmental Global Issues organizado pela Fundação Luso-Americana.

Foram discutidos temas como o desenvolvimento sustentável, políticas ambientais, alterações climáticas, ordenamento do território, participação pública, media e ambiente, energia, etc., mas entre este vasto conjunto de temas, houve um que me despertou muito interesse. Refiro-me ao denominado Business & Biodiversity (B&B).

Inclusivamente entre os participantes havia alguma desconfiança sobre as eventuais boas intenções de determinadas empresas (Delta, EDP, Cimpor, BES, e outras) em assumir preocupações ambientais e responsabilidade sociais com a comunidade, de acordo com os princípios advogados pelo B&B. Ora, estas empresas comprometem-se em investir na cadeia de produção (escolhas das matérias-primas, transporte, transformação, etc.) seleccionando os que contribuem com menores impactos nos ecossistemas. Para além deste facto, estão disponíveis para suportarem projectos de investigação e de conservação da natureza em determinadas áreas protegidas.

No meu entender, e ainda mais significativo do que já referi, é o facto destas empresas, que visam o lucro máximo possível, estarem disponíveis em criar estes fundos para investir na protecção da natureza. É ainda um pequeno passo, mas o reconhecimento da importância na defesa da natureza em consideração ao impacto das actividades humanas.

Tudo isto ocorre, numa economia de mercado global e extremamente competitivo, onde cada vez mais na ponderação do consumidor pela escolha de um produto ou serviço, o factor ambiental terá maior peso. Conforme foi referido muito recentemente num inquérito da consultora Sustentare realizado em Portugal (divulgado pelo Expresso no último fim de semana), 52% dos portugueses, pelo menos teoricamente e no campo das intenções, estão disponíveis para escolher as empresas e serviços financeiros que se preocupam com o ambiente. Os portugueses estão inclusivamente dispostos a investir em fundos sustentáveis com menor rentabilidade financeira!

O que tudo isto demonstra é uma capacidade de adaptação das grandes organizações empresariais a um novo tipo de mercado, onde a exigência do consumidor é maior com a qualidade e desempenho ambiental dessa organização na comunidade em que actua.
Algumas ideias que poderiam ser transpostas para o mercado regional.

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