sábado, julho 21, 2007

BASTA!

Ontem na AR, José Sócrates voltou a apontar a Madeira como o pior exemplo do país na falta de democracia e no recorrente abuso de poder.
Já basta desta coversa da treta!
Sócrates é o Primeiro-Ministro do país onde essa Região se inclui. A ele não basta denunciar os problemas. Isso é inaceitável num PM cujo partido tem a maioria absoluta na AR.
Se o PM defende que a situação da Madeira é vergonhosa, então é legítimo perguntar-lhe o que fez neste 2 anos para alterar a situação?
Nada?!
Então meu amigo, deixe que lhe diga que você é tão responsável por esta situação como o PSD. Digo-lhe mais, a posição do PSD é mais comprensível que a sua. O PSD está na oposição. Um dos poucos trunfos que mantêm é a Madeira. E você espera que eles ataquem um dos poucos que lhes garante vitórias?
Agora você, que se diz tão incomodado com a falta de democracia na Madeira, qual é a sua desculpa para não ter feito nada para alterar essa situação?

3 comentários:

rui ornelas disse...

Ele já fez alguma coisa. Ainda que insuficientemente, tentou introduzir alguma proporcionalidade nas transferências do orçamento de Estado para a Madeira que, apesar de tudo, contribuirá para limitar o esbanjamento. Que continuará, é verdade, mas a nova lei não deixa de ser com contributo para adequar as escolhas políticas aos recursos disponíveis e à capacidade de produção de riqueza da Madeira. Deste ponto de vista, Sócrates já fez alguma coisa.
Tanto é assim que, mal se soube dos novos montantes, começou a ouvir-se os cidadãos a discutir sobre o novo estádio de futebol e da racionalidade do seu financiamento público. Ou seja, pela primeira vez, a população começou a avaliar as escolhas governamentais, coisa que não acontecia antes da lei.
Lembremo-nos da marina do Lugar de Baixo e da indiferença da população perante o dantesco desastre financeiro (e não só) que aquilo representa. Porquê? Porque os madeirenses viveram sempre sem a percepção de que os recursos são limitados na Madeira, tolerando todas as irresponsabilidades, excessos e desperdícios públicos, o que os tem levado a não penalizar politicamente as más decisões e os respectivos decisores. Sabemos o que isto significa em termos de distorção dos sistema democrático...
Contudo, não me parece que Sócrates tenha interesse em ir mais longe, uma vez que beneficia do défice democrático da Madeira. Enquanto o PSD da Madeira insistir nesta fachistocracia (permitam-me inventar esta palavra), Sócrates terá sempre a oportunidade de atirar à cara do líder do PSD nacional a cumplicidade deste com as o regime da Madeira e assim arrasá-lo em qualquer momento que seja evocada alguma deriva autoritária do governo nacional.
Ele já percebeu isto muito bem. E sabe também que ganha votos sempre que for atacado pelo Ti João. De maneira que um precisa do outro. O Ti João ganha votos se atacar Sócrates; e este também ganha se atacar o outro.
Esta tese, aliás, já foi defendida há algum tempo por alguns(as) articulistas e, na minha opinião, está acertadíssima. Repararam no gozo e felicidade com que Sócrates atirou à cara de Mendes o delirante regimento do parlamento madeirense? E qual foi a resposta de Mendes? Arranjem-me um buraco para eu me enfiar, disse com certeza para os seus botões.
Sócrates poderia fazer uma lavagem à RTP-Madeira e à RDP- Madeira. É verdade. Mas teria de o fazer de forma transparente, assumindo publicamente que o iria fazer com fundadas razões de ética, justiça e de normalização democrática. Poderia até fazê-lo “num pacote” onde devolveria a dignidade do professor Charrua, do médico punido por causa do cartaz, entre outros. Mas terá espírito e habilidade política para isso? Julgo que não.

amsf disse...

Falar (escrever) é fácil pelo que pedia-lhe que deixasse aqui algumas sugestões ao Primeiro Ministro (que até poderia ser de outro partido) de como fazé-lo.
Não se esqueça que a Madeira é autónoma e que a autonomia serve de respaldo ao AJJ e ao PSD/M para os seus abusos. Nesta situação e porque estamos em democracia só é possível chamar a atenção do eleitorado para os abusos. Aquele pode ser ou não sensível aos abusos e ilegalidades. Pelos vistos o eleitorado madeirense não é.
Como o Rui Ornelas afirmou qualquer intromissão da República na Madeira só reforça o poder do AJJ.

Anónimo disse...

A.G.Mendonça
RTP-M
Data: 22-07-2007

Acerca do esclarecimento do responsável da RTP/M, publicado na secção "Cartas do Leitor" no dia 19 de Julho, pretendo esclarecer o seguinte: escrevi sobre a minha opinião em relação à RTP/M. Quero reafirmar o que por mim foi escrito e vou repetir o que escrevi na parte final da carta: "Vou referir uma situação passada há cerca de três meses na RTP/Madeira que tive a oportunidade de verificar e que vem demonstrar que, de facto, esta televisão não é isenta nem é para ser levada a sério.. Assisti ao programa de fim-de-semana (compacto) da Contra Informção no canal 1 da RTP. Como gostei e achei piada sugeri lá em casa que vissem o referido programa que na RTP/M seria transmitido no domingo à noite. Assisti junto com a família ao refererido programa, mas a RTP/M censurou, cortou parte do programa, porquanto a paródia era relacionada com o grande timoneiro cá da terra. Quando esta televisão que temos censura um progaram de divertimento, imagina-se o resto. Mas também se sabe que quem lá tem cargos de chefia, quando se vão embora, acabem em acessores no governo regional." Dois apontamentos:
- Quando escrevi "censurou, cortou" devia ter acrescentado "manipulou".

- A parte do programa que foi cortado era, de facto, a mais interessante.





Deputados queixam-se da direcção da RTP-M
Baltasar Aguiar (PND) e Carlos Pereira (PS) enviaram queixas a diversas entidades
Data: 23-07-2007

O presidente do conselho de administração da RTP, o Provedor do Telespectador e o ministro dos Assuntos Parlamentares, foram os destinatários das queixas apresentadas por Baltasar Aguiar (PND) e Carlos Pereira (PS), contra o director do centro regional da televisão pública.

Leonel Freitas foi recentemente reconduzido à frente da RTP-M e essa decisão é criticada pelos dois deputados que o acusam de não servir os "interesses do pluralismo informativo e liberdade de expressão".

O líder do PND justifica a sua oposição à nomeação do director da RTP-M, com a falta de "qualidade da programação e isenção informativa da estação".

As acusações graves baseiam-se, sobretudo, nos critérios adoptados durante a última campanha eleitoral em que, acusa Baltasar Aguiar, foi dado maior cobertura ao PSD e ao Governo em claro prejuízo da oposição.

A não realização de um debate com as sete candidaturas, durante o período de campanha, é uma das muitas críticas apontadas.

A queixa de Carlos Pereira resulta da reacção de Leonel Freitas a um artigo de opinião do deputado, publicado no DIÁRIO. O director da RTP-M respondeu às acusações de que era alvo numa 'carta do leitor', em termos que o deputado socialista considera impróprios. Carlos Pereira classifica a resposta como um "ataque político directo e maldoso".

Os dois deputados pedem a Almerindo Marques, presidente do conselho de administração da RTP, que reconsidere a nomeação do director da RTP-M.


Jorge Freitas Sousa