Tribuna – Como se explica então a forte contestação do GR em relação à proposta?
CP – O nervosismo de Jardim perante a alteração desta lei revela a falta de alternativas e de capacidade por parte do GR em apresentar um rumo para a Região. O único caminho que o presidente do Governo conhece é o que foi seguido ao longo dos últimos 30 anos: ter facilidades de financiamento para fazer acrescentar capital físico. Sem isto, está perdido.
A economia regional vive momentos muito difíceis porque, nos últimos 30 anos, o GR não a preparou convenientemente. Os fundos públicos nacionais e comunitários foram, na maior parte dos casos, mal usados na medida em que não partiram da estratégia adequada. Verificou-se um excesso de obras públicas, ultrapassando os limites do razoável, sem preocupações de viabilidade e sustentabilidade, deixando para trás investimentos fundamentais para a economia regional, como a educação e formação, a aposta na inovação e no conhecimento. Com investimentos adequados nestas àreas estaríamos muito melhor.
A autonomia não deve servir só para dizer que podemos fazer o que queremos, mas para fazer as coisas melhor. Senão, não vale a pena.
Hoje é consensual que um modelo de desenvolvimento sustentado passa pela aposta na "Estratégia de Lisboa", com o acento tónico na educação para reforçar a inovação e sustentar a economia do futuro. A Região, como se verifica pela análise dos dados disponíveis, está bastante mal posicionada. Hoje, constata-se que a trajectória seguida chegou a “um beco sem saída”. As limitações financeiras e físicas impedem a continuidade da dinâmica de crescimento assente nas infra-estruturas.
É necessária uma estratégia que faça uma aposta indiscutível no sector privado, centrada na inovação, permitindo acrescentar valor na economia regional. Mas Jardim não acredita nem percebe que são as empresas que criam riqueza. Ao longo destes anos, teria sido possível criar um sector privado forte e consciente das dificuldades do mercado global. Infelizmente esta governação criou um conjunto de interesses económicos à mercê do GR, alimentando-se deste.
"Jardim é o problema da Madeira"
Tribuna – Não aceita a leitura feita pelo GR quando afirma que a proposta do Governo Central é uma retaliação política, dando como exemplo o aumento de receitas para os Açores e a diminuição para a Madeira?
CP – Não são conhecidos na totalidade os números das transferências. No entanto, no que conheço da proposta parecem garantir rigor transparência e, não menos importante, bom senso através de cláusulas de salvaguarda. Se Alberto João Jardim não quer rigor nesta matéria, só prova que não o tem no seu governo nem na forma como tem gerido os interesses dos madeirenses e isso é preocupante. A forma como o GR tem gerido esta matéria é desadequada e tem efeitos perversos para a Madeira e para os madeirenses. Esta forma de relacionamento com a República não é eficaz, traz mais problemas do que vantagens. Estas matérias discutem-se nos lugares próprios, com a seriedade dos factos e dos números. Jardim revela ser o problema da Madeira e não a sua solução.
Tribuna – Jardim já disse que, caso a lei seja aprovada, poderão vir a ser tomadas medidas drásticas. Como interpreta este anúncio?
CP – É mais um episódio da contestação bacoca de Jardim face ao Governo da República. Essa ameaça não faz qualquer sentido nas relações institucionais. Essas medidas drásticas, além de pretenderem desviar a atenção para o essencial do problema: má governação; poderão querer dizer que Jardim pretende usar o poder tributário, penalizando os madeirenses pelos erros que cometeu. Quando Virgílio Pereira saiu da Câmara do Funchal, Jardim afirmou que um bom gestor gere com muitos ou com poucos recursos. Julgo que não devia se esquecer desta frase sábia. O enquadramento nacional e regional actual é diferente e ele deve saber colocar no terreno uma estratégia adequada para gerir a Região com os recursos que temos, que são inferiores aos que podíamos ter devido à política económica atribulada que foi seguida.
"Adepto incondicional da transparência"
Estamos numa encruzilhada criada por Jardim, que está a tentar resolver da única forma que sabe: ofendendo pessoas, pressionando instituições, criando medos e jogando a cartada de que somos os mártires face à situação. O GR divulgou o seu Plano de Desenvolvimento Económico e Social que não passa de uma "shopping list" de ideias sem articulação entre elas e que não demonstra qual é o caminho da economia regional. O turismo, por exemplo, foi muito maltratado nos últimos anos. O actual secretário não demonstra condições de saúde, energia e preparação para os novos desafios do sector. Infelizmente, nos últimos anos, o sector andou por si contando com o esforço dos empresários, quase sempre sós neste processo.
Tribuna – Concorda com a publicação das listas de devedores ao fisco e à Segurança Social?
CP – Sou um adepto incondicional da transparência. Portanto, essa matéria para mim é totalmente pacífica. É óbvio que não se combate a evasão fiscal apenas com isto, mas se a medida permite que os principais devedores sejam apresentados à sociedade, fazendo-os cumprir com as suas obrigações, concordo que isto seja feito.
Tribuna – Como encara o facto de o GR não ter permitido a divulgação dos nomes dos devedores da Região?
CP – Lamento essa postura. Não percebo porque têm de ser escondidos os incumpridores. É uma típica forma de estar do regime jardinista, da qual discordo completamente.
Tribuna – Alberto João Jardim fez um apelo aos empresários portugueses no sentido de transferirem o seu domicílio fiscal para a Madeira. Como vê estas declarações?
CP – Do ponto de vista económico e de atractividade de investimento para a Região, é uma intervenção ridícula que não fará com que os empresários que nos interessam invistam na Madeira. Por outro lado, estas palavras dão a entender que na Madeira não há controlo nem fiscalização, sendo tudo feito como Jardim quer.
2 comentários:
Carlos Pereira acaba de dizer, alto e em bom som, o que uma parte da classe que pensa nesta Ilha já vinha dizendo há muito.O Grão mestre aqui do burgo está imune a explicações, porque sabe que é ele quem, em última análise, decidirá quem será quem.Por outras palavras; se a existência deste ou daquele é ou não relevante, será ele a decidir segundo os seus valores e conhecimentos.A Castro isso deu resultado..mas a Madeira não é Cuba, felizmente.Decidamente o Joazinho é o problema.
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