segunda-feira, junho 05, 2006

Avaliação dos professores (título corrigido)

Na tentativa de desvalorizar a iniciativa de uma Ministra da Educação que, finalmente, exige que os professores apresentem resultados, houve uma campanha de desinformação, para afirmar a ideia que o novo metódo de avaliação baseia-se, essencialmente, na avaliação dos pais. Nada mais falso. Esse é apenas um dos oito itens de avaliação, como se pode ler em baixo.

«Artigo 46º

Itens de classificação
1 - A avaliação efectuada pelo coordenador do departamento curricular ou conselho de docentes pondera o envolvimento e a qualidade científico-pedagógica do docente, com base na apreciação dos seguintes parâmetros classificativos:
a) Preparação e organização das actividades lectivas;
b) Realização das actividades lectivas (cumprimento dos programas curriculares);
c) Processo de avaliação das aprendizagens dos alunos.
2 - Na avaliação efectuada pela direcção executiva são ponderados, em função de dados estatísticos disponíveis, os seguintes indicadores de classificação:
a) Nível de assiduidade;
b) Resultados escolares dos alunos;
c) Taxas de abandono escolar;
d)Participação dos docentes no agrupamento/escola e apreciação do seu trabalho colaborativo;
e) Acções de formação contínua frequentadas;
f) Exercício de outros cargos ou funções de natureza pedagógica;
g) Dinamização de projectos de investigação, desenvolvimento e inovação.
h) Apreciação realizada pelos pais e encarregados dos alunos que integram a turma leccionada, em relação à actividade lectiva do docentes».

5 comentários:

Anónimo disse...

Avaliação dos peofessores?
Parece que alguém não tem corrector ortográfico, ou então será que foi culpa da professora de português, deve ser o ultimo, afinal era não era avaliada e teve sempre BOM nas pseudo avaliações existentes...

Anónimo disse...

Ó Barata,
criar um blog para defender propostas e ministros que apenas concebem medidas neo-liberais e tão desviadas do socialismo? E se fosse eu, um anónimo qualquer, um zé silva ninguém a avaliar o teu trabalho como advogado, sim, se a Ordem pedisse a todos os que andam em bolandas pelos gabinetes dos causídicos a os avaliarem? O que está em causa é que vem uma senhora universitária que nunca precisou de formação pedagógica para dar as suas aulinhas mandar papaias sobre os outros, sem cuidar de que modo os professores vão perdendo gradualmente o seu prestígio e autoridade (democrática, diria o Barata)

Paulo Barata disse...

A sua comparação não é intelectualmente honesta, porque compara coisas que são incomparáveis. Senão vejamos, para as Escolas os "clientes" são, ou melhor deviam ser, os pais dos alunos que oagam para que os seus filhos tenham o melhor ensino possivel. O problema é que mesmo que o "cliente" não esteja satisfeito (e não estão!) não há nada que possa fazer, se não tiver muito dinheiro disponivel para pagar uma escola privada (a maior parte não tem). E porque é que não pode fazer nada? Porque quem fiscaliza o mau professor é o seu colega do Conselho Directivo e este não quer chatices com os colegas que constituem a sua "base eleitoral". E os que tentam mudar, acaban vencidos pelos que não querem mudar, como o apoio dos sindicatos e dos burocratas.
Ora, com os advogados isso não se passa, porque não estando satisfeito o "cliente" simplesmente muda de advogado, ou seja funciona a lei do mercado e o advogado tem de se esforçar para corresponder às expectativas do seu cliente.

Anónimo disse...

É tão fácil falar do que não se sabe, ou pior, falar pela superfície e cair na armadilha da Ministra e opinar como o senso comum que não tem formação. Esperava-se mais de um senhor que se diz advogado. A questão não está na avaliação como ideia, o problema está no modelo proposto, sem critérios definidos, sem objectividade.

Anónimo disse...

Como professor não tenho medo nenhum das avaliações, muito menos das feitas pelos Encarregado de Educação (com mais ou menos formação), o que me assusta é que os critérios da minha avaliação sejam por exemplo o absentismo escolar e a taxa de abandono escolar. Como sou responsável por isso? Por não motivar os alunos? Por eles não terem referências familiares e até sociais que lhes faça perceber que a educação é um pilar que não podem despender para o seu futuro? Nas minhas salas sucede com frequência que num universo de 20 alunos haja sempre 2 ou 3 que estão desmotivados, desapegados da escola e que só lá vão perturbar e destabilizar... mas eu de certeza que não sou responsável pelas suas faltas pois recebe-os sempre e tento mantê-los dentro da sala quando por lá aparecem. Os Directores de Turma ouvem com frequência:
- Já não sei o que hei-de fazer...
Toda a gente sabe que os pais delegaram na escola e nos professores todas as funções possíveis e imaginárias. Devemos ser pedagogos, psicólogos e até pais.
No que respeita às atitudes e valores, nem aos pais eles respeitam, quanto mais a um marmanjo que por mais dinâmico que seja só diz umas cenas secantes... lá fora é que é baril. Não vale ter ilusões, a escola precisa de uma volta de 360º, e por mim pode começar já pelos professores, mas para quando a responsabilização dos pais, dos encarregados de educação e de toda a sociedade? Sempre é mais fácil, bater nos professores...para quem é político e que nunca são responsabilizados por nada.