
Dizer que Alberto João Jardim é irresponsável já se tornou um lugar comum e nem aquece, nem arrefece. O homem é inimputável. A nível nacional tornou-se no exemplo de tudo o que é mau na actividade política. Por efeito de arrastamento, a Madeira tornou-se o exemplo do que não pode acontecer numa democracia de pessoas responsáveis e sérias. A expressão “já chegamos à Madeira!” entrou no vocabulário dos portugueses e serve para dizer que se está perante uma situação intolerável.
Estou convencido que, para além da manifesta falta de educação, esta forma de agir de Jardim é uma estratégia política. É a sua forma de evitar discutir coisas sérias como uma pessoa séria. Desta forma, sempre que é confrontado com alguma questão que mereça uma discussão mais aprofundada e para a qual não está preparado, ele manda uma “boca”. Sempre que é confrontado com alguma má opção do seu governo regional, ele manda uma facécia. Para os alborques mais gritantes, ele “solta os cães” e sai injúrias, acusações e ameaças.
Reconheça-se que é uma estratégia que tem dado os seus frutos. Repare-se nos exemplos mais recentes. Sobre a aplicação das Lei da Incompatibilidades à Madeira, lançou o “não cumprimos e se quiserem mandem os barcos de guerra”. O resultado foi um desvio das atenções para a sua pessoa, parando por uns dias a discussão se e como devia ser aplicada essa lei na Região. Outra questão foi as acções populares que vieram tornar mais claro as violações à lei por parte das autarquias. Aqui, Jardim anunciou que iria denunciar supostos “gangs à solta” pela Madeira. Claro está que a discussão foi desviada do mérito das acções populares para a existência ou não desses “gangs”.
A única maneira de sair desta armadilha é obriga-lo a encarar a governação da Madeira com responsabilidade e respeito. E para isso será necessário que, por um lado, todos os outros partidos recusem-se a comentar as “bocas” de Jardim e, por outro lado, que a comunicação social se recuse a receber essas bejoga como respostas normais e satisfatórias às suas questões e insista até ter uma resposta séria. Porque podem e devem exigir mais ao Pr. do Governo Regional.
Por fim, deve também reconhecer-se que o PS já vai reagindo de maneira diferente a esta estratégia. Não se deixou levar pelas declarações dos “barcos de guerra” e vai seguir o seu caminho para fazer aplicar um regime de incompatibilidades mais alargado à ALM. Insistiu para que concretiza-se de que “gangs” fala, porque é uma acusação grave, mas não deixou cair a discussão sobre o desenvolvimento sustentável da Região, onde um bom ordenamento do território é essencial.
Parece-me que a armadilha está detectada, e se calhar já outros a denunciaram antes de mim, não sei. O que sei é que agora só cai nela quem
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