quinta-feira, dezembro 03, 2015

segunda-feira, setembro 01, 2014

Regras à medida

No final do mandato do governo anterior e devido a uma alteração das regras europeias de contabilização do défice e da dívida, passaram a fazer parte do perímetro orçamental, os défices e dívidas de empresas públicas fortemente dependentes do orçamento do estado, como a Carris, CP e Refer. (ver)
Apesar do desagrado do governo de então, que viu as regras a serem alteradas a meio do jogo, vendo o défice a subir de um dia para outro em quase 2,6% tornando-se difícil atingir as metas pré-estabelecidas, estas regras, como dizia, faziam todo o sentido, tendo em conta que muitas vezes estas emrpesas eram usadas para esconder as reais contas públicas.

Mas,  mudam-se os tempos e mudam-se as vontades. As novas regras de contabilidade da zona euro, passam a deixar de fora do chamado défice estrutural tudo o que for considerado despesa extraordinária.
É desta forma que na apresentação do 2º orçamento rectificativo de 2014 ficamos a saber que a previsão do défice se mantêm nos 4%, mas manda-se para debaixo do tapete das despesas extraordinárias tudo o que em 2011 se quis trazer à luz do dia.

Em 2011 o défice subiu 2,6 % com a inclusão dos défices da Carris, CP, Refer e BPN. Em 2014 o défice ficará 5,9 % mais baixo devido às despesas extraordinárias de Carris, CP, Refer e Novo Banco. O que aumentou num governo, baixou no outro. Sem que nada de substancial tenha sido alterado.

Comparando o comparável, o odioso governo de José Sócrates teve um défice de 9,3% do PIB (em 2010) enquanto que o competentíssimo governo de Passos/Portas terá (?) um défice de 9,9% do PIB.

quinta-feira, outubro 17, 2013

Empreendorismo amigo dos animais

Ontém vi uma senhora  na promenade junto ao centromar a tentar vender uns naperons de crochet. Na verdade isto nada tem de inovador.
O que se passou de seguida é que me surpreedeu pelo sentido de oportunidade.
Ao passar junto de uns gatos que por lá andam, uns turistas apróximaram-se dos bichanos para lhes fazer umas festas. Nesse momento a senhora que tentava vender os naperons apróxima-se do turista e diz-lhe no melhor inglês que consegue, que tem uma latinha de comida para gato que pode vender-lhe para ele alimentar os gatos.
Ficaram todos felizes. Os gatos, a senhora empreendedora, os turistas e eu que assisti a tudo em primeira fila.

terça-feira, outubro 15, 2013

E nós deixamos?

O OE2014 será mais do mesmo. Mais do mesmo sacrifício, mais do mesmo fracasso.

O governo propõe cortar 4000M€ de despesas do estado, esperando com isso diminuir o défice do estado em 2,3%.
Estas contas não batem certo e passarei a explicar porquê.

Indicam alguns estudos sobre processos de ajustamento abrupto como o que foi desenhado para Portugal que por cada euro que o estado não gasta implica uma diminuição do PIB de apróximadamente 1,5 euros.
Isto significa que o corte anunciado de 4000M€ terá um impacto negativo no PIB de 6000M€, ou seja, uma queda no PIB devido apenas a medidas de austeridade de 3,6%.

Tendo em conta que carga fiscal em Portugal é de aproximadamente de 40%, significa que resultante da queda do PIB o governo tem uma quebra das receitas fiscais de 2400M€, ficando apenas com 1600M€ (0,9% do PIB).

Mas não é tudo. A queda do PIB terá com certeza uma quebra do emprego na ordem dos 150 mil indivíduos, implicando gastos avultados com subsídios de desemprego, que tendo em conta os valores médios por beneficiário do subsidio de desemprego será da ordem dos 750M€.

Assim, dos 4000M€ que o estado pretendia poupar, fica apenas com 950M€.

Tanto corte e tanta miséria para, correndo tudo bem, e nunca até agora correu, se conseguir reduzir o défice em apenas 0,5% do PIB.
Depois, lá para meados do ano estarão a anunciar a necessidade de cortar ainda mais sob pena de não atingir os objectivos traçados.

quarta-feira, outubro 09, 2013

Desfibrilador

Este blogue anda a precisar dum choque que o faça voltar à vida.

terça-feira, novembro 27, 2012

Lições brasileiras

(...) A crise financeira, que hoje afeta a Europa, golpeia de forma particular a península ibérica. Sabemos que Portugal e Espanha estão diante de tarefas de complexa solução. Mas sabemos, também, da força desses países, da energia criativa de suas sociedades, de sua capacidade de superação, tantas vezes comprovada ao longo dos séculos.

Temos assistido, nos últimos anos, aos enormes sacrifícios por parte das populações dos países que estão mergulhados na crise: reduções de salários, desemprego, perda de benefícios. As políticas exclusivas, que só enfatizam a austeridade, vêm mostrando seus limites: em virtude do baixo crescimento, e apesar do austero corte de gastos, assistimos ao crescimento dos déficits fiscais e não a sua redução. Os dados e as previsões para 2012 e 2013 mostram a elevação dos déficits e a redução dos PIBs.

O Brasil vem defendendo, inclusive no âmbito do G20, que a consolidação fiscal exagerada e simultânea em todos os países não é a melhor resposta para a crise mundial – e pode, inclusive, agravá-la, levando a uma maior recessão.

Sabemos que os impactos da crise são diferentes entre os países, e as respostas à crise também têm suas diferenças e produzem consequências diversificadas. O equívoco, porém, é achar que a consolidação fiscal coletiva, simultânea e acelerada seja benéfica e resulte numa solução efetiva.

O que temos visto são medidas que, apesar de afastarem o risco de uma quebra financeira, não afastam a desconfiança dos mercados e, mais importante ainda, não afastam a desconfiança das populações. Confiança não se constrói apenas com sacrifícios. É preciso que a estratégia adotada mostre resultados concretos para as pessoas, apresente um horizonte de esperança e não apenas a perspectiva de mais anos de sofrimento.

A atividade econômica mais fraca em 2012, as perspectivas para os anos seguintes, o sofrimento das populações colocam, assim, na ordem do dia a necessidade do crescimento. Urge que os países superavitários também façam a sua parte, aumentando seu investimento, seu consumo, e importando mais.

O que parece cada vez mais claro é que sem crescimento será muito difícil o caminho da consolidação fiscal. Os ajustes serão cada vez mais onerosos socialmente e cada vez mais críticos politicamente. 


(...) Quando nos reunimos em Guadalajara, duas décadas atrás, a América Latina ainda vivia as consequências de sua “crise da dívida”. Os governantes de então, aconselhados pelo Fundo Monetário Internacional, acreditavam, erradamente, que apenas com drásticos e fortes ajustes fiscais poderíamos superar com rapidez as gravíssimas dificuldades econômicas e sociais nas quais estávamos mergulhados. Levamos assim duas décadas de ajuste fiscal rigoroso tentando digerir a crise da dívida soberana e a crise bancária que nos afetava e, por isso, neste período, o Brasil estagnou, deixou de crescer e tornou-se um exemplo de desigualdade social.

Ler mais aqui.

Discurso de Dilma Rousseff na XXII Cimeira Ibero-Americana em Cadiz

sexta-feira, setembro 21, 2012

Redução de escalões de IRS, uma nova golpada

Encapotado sob o manto de uma suposta simplificação fiscal, este governo está a propor um aumento do imposto sobre o trabalho (mais um) de aproximadamente 3,5%, ou seja o equivalente à perda de mais meio salário para cada trabalhador a acrescentar à proposta imoral de transferência de um salário dos trabalhadores para os patrões.

No entanto, já se sabe que o escalão mais alto não sofrerá agravamento, mantendo-se nos 46,5%.
Mais uma vez castiga-se mais os que ganham menos.

Desta vez, o CDS não poderá colocar-se de fora desta discussão, tendo em conta que foi um seu secretário de estado, Paulo Núncio, o primeiro proponente e anunciante desta medida, ainda antes do anuncio de Passos Coelho.

Se esta medida for aplicada, será mais um golpe profundo na nossa já debilitada economia.

Não podemos permitir.